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Festival, revolução e rock Como é de praxe, este diário começa no dia anterior. Ainda antes disso, na tarde de sexta feira fiquei preocupado quanto nossa ida ao Ferrock. Algumas pessoas desistiram de ir, o que nos faria pagar um pouco mais pra chegar ao destino esperado, mas horas depois conseguimos o número suficiente. No sábado me surpreendi com algumas pessoas berrando embaixo da minha casa me chamando pra ir a um córrego a uns 2 km da cidade, mesmo sabendo que estaria morto na noite e provavelmente na manhã de domingo, data em que sairíamos pra chegar a capital federal. Fomos pé. Comida queimada com leve tempero de bom ar a parte, nos deslocamos de volta a cidade por volta das 17:00 hrs, a pé, é claro, mesmo que tivéssemos um carro, o lugar era de difícil acesso pra qualquer veículo com mais de duas rodas. Chegando em casa “morto”, fiz uma breve janta do tamanho de uma montanha e segui para o QG onde encontraria o restante das pessoas que pagariam por seus lugares. Chegando lá vi que algumas delas estavam a fim de estender a noite, passando por um bar bastante freqüentado por nós depois do fechamento de um outro, mas um tanto longe para meus pés cansados. Mesmo com essa adversidade resolvi seguir com eles, mesmo sabendo que estaria “morto” na manhã seguinte, a não ser que... tinha tudo planejado, chegar as 5:00 e dormir ate as 9:00, hora que teoricamente sairíamos daqui. Como também é de praxe as coisas não saíram bem como o planejado. Um amigo, um tanto... Lisérgico eu diria, acabou colando no bar enquanto jogávamos sinuca e bebíamos algumas doses de ypioca com soda. Como pessoas assim geralmente não dormem ate o fim do processo, acabamos ficando por lá mesmo e depois para o QG. Alguns palheiros vistos e inúmeros vídeos mostrados depois, vi em meu relógio que passavam das 5:30 da manha. Como vocês podem notar, planejamento zero. Visivelmente cansado, me joguei no colchão e deixei que os outros seguissem vendo os milhares de vídeos de bandas podres, eletrônicas, psicodélicas e a fins que rolavam no youtube, parece que nossos convidados tinham gostos bem diversos. A dor de cabeça provocada pelas sei lá quantas doses de ypioca com soda insistiam em não me deixar dormir e enquanto isso o dia amanhecia. Quanto finalmente deu a hora de levantar (se é que de fato me deitei) achei que uma ducha fria poderia melhorar os ânimos, o que na verdade foi bastante torturante. Os passageiros do itinerário 666 com destino ao Ferrock começavam a chegar, alguns mais entusiasmados, outros nem tanto, talvez por estarem de ressaca, outros não sabiam muito bem o que fariam ali, mas apesar disso, há sempre uma coisa que fala mais alto, (e se fala) a música. Descemos para esperar nosso transporte. Alguns de ressaca, outros com aquela disposição dominical. Na noite de sexta eu havia enrolado alguns (uns quinze) de meus palheiros para degustar durante os shows e apresentações, um trabalho artesanal de algumas horas, mas que valeu a pena. Só não contava com a caretice de nosso amigo motorista, já que depois do trabalho que tive pra acender o dito-cujo com todos os vidros abertos, fui advertido a fumar do lado de fora. Parando no posto próximo à Brasília foi exatamente o que fiz, acendi um palheiro e fui logo em busca de um lanche. Nada como um pastel de carne moída e um refrigerante e uma lata de cerveja logo de manhã para repor as energias. Seguimos em busca da praça de administração da Ceilândia, local onde estavam marcados os shows daquele domingo. O festival também aconteceu no sábado, mas não pudemos estar presentes. Logo encontraríamos amigos que relatariam aquele primeiro dia para que pudéssemos levar um pouco da cobertura também do dia anterior. Algumas dúvidas de como chegar logo esclarecidas depois, finalmente desembarcamos. Eu já me sentia um tanto quanto apertado, era o número um chamando. Feitas as necessidades, encontrei um dos colaboradores do Yeah! Noroeste, que me falara um pouco sobre a noite de sábado. A principal atração foi o veterano Jhonny Winter, que faz uma mistura bem legal de blues, folk e rock ‘n’ roll. A lendária banda de metal Anthares havia se apresentado também, e, além disso, assinado a capa do vinil (No Limite da Força) de um outro colaborador. Só depois notei que havíamos chegado muito cedo, de fato andamos zunindo na estrada, mas não pensei que motora estive tão a fim de chegar como estaria tão a fim de sair mais tarde, quando o encontraríamos saindo do festival. Procuramos um restaurante qualquer pra forrar o bucho e voltamos pra praça pra comer lá mesmo, só pra constar, a carne parecia estar viva dentro da marmita e com uma leve textura borrachuda, nem os cachorros a quiseram. Como é de praxe também, quando se come se dá sono e fomos tentar fazer uma “siesta” antes de dar a hora de entrar. Alguns bem sucedidos na missão e outros não, nos deslocamos para a entrada, enquanto a banda de raw punk, The Insult, que chegara a pouco passava o som ali dentro, essa foi a banda que abriu os shows da tarde. As pessoas finalmente foram liberadas, peguei meus dois quilos de feijão (feijão mesmo, o que se come) e segui entusiasmado para o portão de entrada. Baculejo dado como é de costume, revista na mochila e nos bolsos, e vamos embora. Logo depois da apresentação da The Insult, um grupo do folclore maranhense fez a sua. Um cara cantando e batendo como em um tambor e garotas e garotos dançando ao ritmo, atração interessante, assim como o grupo de repentistas que se apresentou um pouco mais tarde e acabou fazendo todo mundo cair na gargalhada. Rolaram outras bandas, a Seconds of Noise foi prejudicada pelo som de um dos palcos, acho que foi o Ceilândia Norte, no Ceilândia Sul tudo corria bem até então. Os caras acabaram tocando pouco, e como o tempo é curto, ate mesmo para uma banda que faz segundos de barulho, outra já entrou logo depois. Podrera ocupou o posto mandando seu hardcore/crossover aos adeptos do estilo. Gostei bastante da banda Rotten Purity, um power trio que, apesar, de também terem sidos prejudicados pelo som do palco onde se apresentara Seconds Of Noise, fazem um Thrash/Death de responsa. A Death Slam viria logo depois, sempre fazendo um excelente show, como aqui, na 1ª edição do Noisé Underground. Não me canso de ver o shows dos caras, a pegada bruta de sempre aliada as letras ácidas. Assim como no Noisé, rachei (literalmente) com “Foda-se a música gospel.” “Futuro de Merda” e “Underground Ways”. Achei até que aquele momento até merecia mais um palheiro. Era chegada a hora de Suffocation, nossa primeira principal razão (não necessariamente nessa ordem) de estar onde estávamos mesmo com todo o cansaço acumulado. Acho que foi isso que me derrubou, além é claro da enrolação na passagem de som, esperar sentado cansa menos. Uma hora depois e parecia que músicos e apoio técnico não se entendiam. Quando o show finalmente começou, pude sair do chão, onde me encontrava há algum tempo, desde o final da apresentação dos repentistas Roque e Dona Teresinha, uma senhora “boca suja”, mas bastante divertida e irreverente. Só tenho uma coisa a dizer: FOI FODA! A banda comandada por Frank Mullen provou porque é um dos maiores nomes do estilo na atualidade, brutal death metal de qualidade, bateria rapidíssima, assim como os riffs que saíam das guitarras de Hobbs e Marchais. Pouco mais de uma hora de show depois e o cansaço viria mais forte. Já não sentia mais os dedos dos pés que pareciam ter sido esmagados por um trator. Sentei para descansar, já que presumia que o atrito entre músicos e técnicos de apoio aconteceria também com a nossa segunda razão principal ((não necessariamente nessa ordem)) de estar ali na noite, a Napalm Death. Precursora do grindcore, estilo este muito apreciado por mim, a banda comandado por Mark Barney levou um apanhado de seus 14 álbuns, entre eps, cds e singles, meu destaque para “Scum”, pedido atendido pelas pessoas que ali gritavam, confesso que arrepio só de ouvir o início dessa música. A banda sueca Nasum, que terminou após a morte do vocalista causada por uma tsunami, (que ouço enquanto escrevo esse texto) por exemplo, foi fortemente influenciada por eles. Cansado, com sede e depois de degustar em média uns 12 palheiros, fomos nos reunir aonde chegamos, local combinado para que o motora viesse nos buscar para que voltássemos para Unahell. Antes uma ida ao supermercado para comprar um cigarro e finalizar a noite. No entanto os atendentes pareciam tão cansados quanto nós. Voltando ao estacionamento, foi feita a lista de chamada. Vimos que um dos tripulantes não se encontrava na van, foi quando um outro colaborador (é, temos vários) foi em busca deste, que chegaria logo depois, o famoso desencontro. Minha impressão final é que os shows foram em sua maioria fodas, alguns problemas com o som, como não poderia deixar de ser, mas o saldo final foi bastante positivo. Afinal, não custa nada ajudar as entidades carentes doando apenas dois quilos de alimento. Uma idéia para utilizarmos na segunda edição do Noisé Underground. Praticamente de graça para assistir duas bandas tão cabulosas como Suffocation e Napalm Death. Espero que o próximo seja tão bom quanto. E acho que O Felipe CDC tem razão, dessa vez deveríamos mandar construir um busto, quiçá uma estatua do velho Ari na praça de administração da Ceilândia. Um abraço e até a próxima Gig, que desta vez, se tudo correr bem, será em Goiânia - GO. Será que alguém ae gosta de Vulcano?
Redação/Programação/Diagramação
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